Visão geral da metodologia de servitização

Conforme você viu na seção de definições, uma metodologia contém um conjunto de métodos. A maioria das metodologias organiza os métodos em categorias que representam fases de desenvolvimento de um projeto. Nós iremos organizar os métodos em atividades, que serão agrupadas de acordo com um objetivo comum.

Esses grupos de atividades podem pertencer a processos paralelos à servitização, como as atividades de análise do negócio; ou atividades de processos paralelo, como as atividades de gestão de mudança; ou atividades de períodos da servitização, como por exemplo as atividades da análise da viabilidade econômico-financeira.

Como visto nas definições, as atividades de um projeto podem ser agrupadas em fases, para permitir um melhor controle do projeto.

Uma fase de um projeto de servitização pode conter atividades de mais de um dos grupos de atividades apresentadas nesta metodologia.

Isso permite que você planeje o seu projeto de servitização de uma forma bem flexível.

As atividades são estruturadas em entregas e utilizam métodos e material de apoio.

São colocadas dicas de como obter as entregas.

Você pode combinar as atividades e entregas correspondentes em grupos diferentes e definir fases específicas para o seu projeto. Cada projeto de servitização pode ter fases diferentes.

Para isso configure a metodologia para o seu projeto de servitização.

As fases estão relacionadas com o ciclo de vida do PSS.

Cada servitização específica é um projeto de mudança, ou seja, um projeto de inovação do modelo de negócio.

A servitização é iterativa: Definimos a proposição de valor que é uma parte do modelo de negócio. Ao completarmos o modelo de negócio podemos atualizar a proposição de valor. Ao realizarmos análise da viabilidade econômico-financeira, pode ser que tenhamos que repensar alguns aspectos do modelo de negócio e até mesmo da proposição de valor.

Visualizamos o modelo de negócio como a ponta de um iceberg, que precisa de um design detalhado para que possamos implantar a operação do PSS.

As informações da análise de negócio podem vir de processos diferentes, como o processo de inteligência de mercado ou vigilância tecnológica. Normalmente são consolidadas no início de um projeto de servitização. Porém, permeiam todas atividades, pois elas podem necessitar dessas informações.

A gestão de mudança acontece desde antes do projeto de mudança e pode ir até o lançamento do PSS, ou pode acompanhar todo o ciclo de vida, se você monitorar a satisfação de suas pessoas com os princípios da gestão de mudança. A operação pode durar muitos anos.

Nesta metodologia integramos os conceitos de gestão de mudança com os conceitos de gestão de projetos.

A visão geral desta metodologia de servitização tem 3 perspectivas:
 
  • Perspectiva de relação entre os conteúdos, que representa superposições entre os grupos de atividades. Isso mostra que entregas de atividades de um grupo podem fazer parte das entregas de outro.
 
  • Perspectiva hierárquica, que mostra como ela evolui do planejamento estratégico até a operação do PSS.
 
  • Perspectiva procedural que mostra a metodologia como um processo de inovação do modelo de negócios.

Os grupos de informações em cinza claro não são tratados nessa versão da metodologia de servitização.

Perspectiva da relação entre os conteúdos da metodologia de servitização

 

 Na figura você pode observar a superposição entre os grupos de atividades. Isso significa que uma entrega de algumas atividades de um grupo são as mesmas de outro.

Vamos agora realizar uma descrição geral desses grupos: 

Essa perspectiva é a adotada para apresentar a metodologia de servitização

Planejamento estratégico: é a base de toda mudança e operação das organizações. É o que define a direção que devemos ir, as ações para chegar lá, assim como as metas a serem atingidas (não será tratado neste guia).

Gestão de mudanças: quem desenvolve, opera e usufrui do PSS são pessoas. Elas precisam ser apoiadas desde o início da servitização. Essas atividades ocorrem no início, durante e após a servitização. Serve de apoio a todas atividades da metodologia.

Gestão de projetos: a servitização ocorre por meio de um projeto. As atividades de planejamento, execução e controle do projeto não serão explicitadas neste guia, mas devem ser consideradas. Na metodologia tratamos a gestão de projetos integrada à gestão de mudança.

Análise do negócio: concentra-se no levantamento das expectativas, ideias, estratégias, informações sobre o ambiente externo e interno. O foco é conhecer a realidade da empresa, seu produto atual, concorrentes, tecnologia e mercado. Resulta no desafio a ser obtido com a servitização. Essas atividades em empresas já estabelecidas deveriam ocorrem constantemente sendo, portanto, objeto de outros processos. Em empresas iniciantes devemos ter essas informações para não correr riscos demasiados no novo empreendimento.

Proposição de valor: estabelece com maior precisão o segmento de mercado, pois desde o planejamento estratégico e também durante a análise do negócio já devemos ter em mente um segmento de mercado. Define quais são os stakeholders, levanta seus problemas, necessidades e desejos. Trata os insights e as oportunidades dadas pela tecnologia, organização, etc. Com base nessas informações define qual a proposição de valor que vamos entregar. Explícita os benefícios para os stakeholders.

Modelo de negócio: parte do segmento de mercado e a proposição de valor definidos anteriormente. É a ponta do iceberg para se desenvolver e implantar o PSS. São definidos os principais processos, parceiros, recursos, fluxo de receitas e custos. Define como vamos entregar o valor.

Avaliação de investimento: é um momento de reflexão. Com base no fluxo de receitas e custos analisamos se o negócio é interessante do ponto de vista financeiro. Pode resultar em diretrizes para se mudar tudo o que foi definido até agora.

Arquiteturas: começo da parte submersa do iceberg. É um detalhe do modelo de negócio. A definição da arquitetura do produto é baseada no design conceitual do PSS que não faz parte desta metodologia (veja a aplicação desta metodologia com outras abordagens). 

Antes de se detalhar devemos definir quais são os principais elementos (e como eles se relacionam de forma integrada) do produto, dos sistemas de informação, da infraestrutura e dos processos de negócio, que viabilizam a entregar valor. Pode ser necessário revisitar a avaliação de investimento, assim como o modelo de negócio e a proposição de valor.

Roadmap de implementação: com base no modelo de negócio e arquiteturas, consolidamos os resultados (entregas) que faltam ser atingidos em uma linha de tempo dividida em curto, médio e longo prazo. Essas entregas irão nortear o planejamento do desenvolvimento detalhado, lançamento e operação para que o PSS se torne realidade.

Design detalhado: é o momento da “transpiração”. Será que tudo o que especificamos até agora vai realmente dar certo? Se o produto já existir, temos de verificar se ele não terá de ser modificado para estar em um PSS. Todas as especificações são obtidas iterativamente até o nível de detalhe apropriado para a sua implantação. Tudo tem de ser testado (não será tratado em detalhes).

Apesar das atividades relacionadas com as arquiteturas serem apresentadas separadamente, elas são integradas.

Lançamento: É o começo da operação do PSS. É quando colocamos para rodar toda a cadeia de valor com base nas especificações resultantes do design detalhado da solução completa (o sistema produto-serviço), que deve refletir o que foi definido no modelo de negócio e foi estruturado nas arquiteturas integradas. Durante o lançamento pode acontecer de termos de realizar ajustes ou mesmo correções do design detalhado. Isso pode resultar em mudanças na arquitetura e modelo de negócio. (está fora do escopo desta metodologia).

Operação: o PSS já está em regime. No início devemos ajustar alguns detalhes para atender às estratégias definidas. Acompanha-se a operação na chamada gestão do ciclo de vida do PSS. Esse grupo de atividades inclui a gestão do fim de vida, que é acionada quando os produtos ou serviços não atenderem mais às especificações. Nesse momento precisamos adotar alguma estratégia de fim de vida, que deve ser planejada desde o início do desenvolvimento (está fora do escopo desta metodologia).