Outras abordagens relacionadas com a metodologia de servitização

Servitização é um processo de mudança. A gestão de mudança estabelece as condições para a servitização. Além disso, uma mudança tem começo meio e fim e deve ocorrer na forma de um projeto. Assim, os conceitos de gestão de projetos são essenciais para a servitização. Conforme as características do projeto de mudança, você pode utilizar alguns conceitos e métodos da gestão ágil. planejamento estratégico é o ponto de partida de qualquer definição de mudança, por isso essa abordagem deve ser praticada por sua organização. O planejamento estratégico direciona o projeto de servitização. A gestão de mudança e a de projeto são complementares e básicas para a servitização. Por isso, na figura da visão geral da metodologia essas duas abordagens representam o pano de fundo de todos os grupos de atividades. Várias abordagens relacionadas também consideram, com uma outra ênfase, que a gestão de mudança centrada nas pessoas é um fator crítico para o sucesso das ações de melhoria.  Mas existem outras abordagens que podem ser relacionadas com a servitização. 

planejamento estratégico é o ponto de partida de qualquer definição de mudança, por isso essa abordagem deve ser praticada por sua organização. O planejamento estratégico direciona o projeto de servitização.

Às vezes, para uma organização, o PSS é um novo modelo de negócio. Portanto, a inovação em modelos de negócio é uma das abordagens centrais relacionadas com a servitização para organizações que ainda não mudaram o seu modelo de negócios. 
As mudanças resultam em novos processos, por isso a gestão por processos (BPM – business process management) contém vários elementos comuns com a metodologia proposta. Especificar a arquitetura de processos e depois detalhar por meio da modelagem de processos, são conceitos de BPM adotados por esta metodologia.

Como queremos mudar e eliminar os desperdícios, os conceitos de lean thinking para a definição do novo sistema (lembre-se que PSS é um sistema) devem ser considerados na servitização. Ao mesmo tempo, uma melhoria pode resultar de um planejamento resultante de uma ação Kaizen.

Um grupo de atividades desta metodologia é a análise do negócio, que se tornou um “lugar comum” adotado por muitas das abordagens citadas.

E por que não mensurar a situação atual e definir metas mensuráveis a serem atingidas com a servitização? Isso é proposto pela maior parte das abordagens citadas anteriormente. Então a servitização pode estar integrada à definição de um sistema de medição de desempenho. No nível de melhoria podemos integrar os conceitos, métodos e ferramentas de six sigma.

Os artefatos físicos farão parte do sistema produto-serviço. Assim, a organização pode adotar as melhores práticas de gestão do desenvolvimento de produtos (design de produtos). Essas práticas envolvem processos, métodos e ferramentas.
Como PSS está centrado nos serviços, as práticas de gestão do desenvolvimento de serviços (design de serviços) também podem ser consideradas.
Para garantir a usabilidade e robustez dos artefatos planejados na fase conceitual, adote durante o detalhamento do design as suas práticas de design de produtos.  Apenas lembre-se de sempre avaliar quais as consequências de suas decisões nos serviços por meio de protótipos

A aplicação desta metodologia de servitização com o processo de desenvolvimento/ design de produtos está ilustrada na figura. A partir da proposição de valor que é posteriormente completada pelo modelo de negócio (no caso de inovação neste modelo, é óbvio) ocorrem atividades de design conceitual, que não fazem parte desta metodologia.

Pode ser que você já utilize métodos de design thinking na sua empresa. Se for esse o caso, você pode integrá-los à etapa de proposição de valor (ver capítulo correspondente) da metodologia de servitização. As atividades da proposição de valor desta metodologia são compatíveis com as principais etapas do design thinking e, portanto, é possível selecionar os métodos do seu repertório para realizar essas atividades. Caso os métodos que você utilize sejam muito voltados para a criação de novos produtos (principalmente na prototipagem), verifique no guia quais métodos você pode utilizar para gerar novos serviços também.

O nível de detalhamento da solução evolui. Na proposição de valor temos a definição dos produtos e serviço e os benefícios que satisfazem os stakeholders, ou seja, o valor que eles percebem.

Uma boa parte do conceito é estabelecida na criação da proposição de valor, é evoluída ao estabelecer o modelo de negócio e é detalhada ao realizar a análise de viabilidade econômica. No entanto, o conceito ainda não foi consolidado. Recomendamos que o conceito seja consolidado para servir de base para a arquitetura. É possível criar   uma visão integrada do conceito do PSS utilizando representações apropriadas[i].

O design conceitual do produto deve ser feito adicionalmente ao conceito do PSS. Isso porque o conceito do produto possui diversas outras características que podem não ser representadas no conceito do PSS. Por exemplo, caso eu deseje representar o conceito das impressoras da Xerox oferecidas como PSS, eu posso representar a visão geral do serviço por meio do blueprint modificado de produtos e serviços (ver nota), mas também posso representar o conceito da impressora em si. Também é possível representar à parte o conceito da própria infraestrutura, como, por exemplo, a arquitetura de um aplicativo que proverá suporte à solução.

Relação com projeto conceitual

Lembre-se que com base na proposição de valor você já criou outros elementos do modelo de negócio, que garantem a entrega do valor.

Isso permite que as práticas de design conceitual de empresas que já possuem experiência continuem a ocorrer como hoje, porém com a adição do conceito da solução integrada. A diferença que a metodologia de servitização traz é que a proposição de valor traz uma visão integrada da solução e, portanto, pode estabelecer requisitos para o produto. Atualmente, poucas empresas questionam seus modelos de negócio quando desenvolvem novos produtos.

No entanto, a realização do design conceitual do produto de forma independente não ocorre se um projeto de servitização acontecer em uma empresa que já possui um produto e só quer mudar o modelo de negócio. Neste caso, durante a servitização temos de avaliar se o produto existente é apropriado para fazer parte de um PSS. Caso não seja, pode ser necessário modificar o conceito ou a arquitetura do produto atual.

As possíveis melhorias no produto para ele ficar coerente com a aplicação em um PSS serão programadas no roadmap (ver capítulo correspondente). O próximo nível de detalhamento da solução integrada ocorre na definição da arquitetura de produto integrada com as outras arquiteturas de serviços / processos de negócio e de infraestrutura. Aqui, novamente, você irá se preocupar com a integração dos elementos da solução e garantir a consistência entre eles, gerando uma arquitetura única do PSS.

Partimos então para o design detalhado, onde você irá especificar com todos os detalhes a solução. Logico que aqueles itens providos por parceiros não precisam ser detalhados. Mas as interfaces entre todos os itens devem ser garantida na arquitetura integrada. E o seu design detalhado irá considerar essas interfaces. No design detalhado ocorre o teste integrado.

O design detalhado e o lançamento ocorrem de forma integrada também, pois são atividades que precisam tratar de como os itens dos elementos do modelo de negócio estão relacionados. Os últimos detalhes da integração e possíveis problemas iniciais são resolvidos no lançamento do PSS.

Uma crítica pertinente que se faz é que a servitização, que envolve o design de um PSS, não é simplesmente a soma dos processos de design de produtos e de serviços.

Se sua organização já possui excelência nesses processos, você deve adaptá-los para a servitização. Como? Integrando as arquiteturas de produto, serviços/ processos, e infraestrutura. Adote a mesma tática no uso das práticas de design de serviços já consolidadas na sua organização. Não perca a visão de ciclo de vida durante o desenvolvimento, operação e fim de vida do PSS (beginning-, middle-, end-of-life). Por isso, se já possuir experiência na abordagem PLM (product lifecycle management), integre com a servitização.

Por fim, para garantir que o PSS tenha um menor impacto ambiental, integre à servitização a abordagem de avaliação de ciclo de vida (LCA – lifecycle assessment), que mensura esse impacto.

[i] Para criar o conceito da solução, você pode utilizar o blueprint modificado para sistemas produto-serviço. Trata-se de um mapa que representa a solução de forma integrada, podendo ser utilizada para representar a solução em diferentes níveis de abstração. Neste momento, não se preocupe em estabelecer todos os detalhes da solução. Apenas busque alcançar um nível de detalhe suficiente para prosseguir para a arquitetura. A solução é mapeada no blueprint sob três perspectivas: produto, serviço e suporte. 

blueprint modificado para sistemas produto-serviço é um método criado na academia e pode ser visualizado no artigo “Designing the sustainable product-service integration: a product-service blueprint approach” (Geum e Park, 2011), o qual pode ser acessado no link.