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Uma empresa que está acostumada a vender somente produtos pode utilizar este guia para prover ao mercado serviços associados aos produtos (novos e existentes) e cobrar por eles. Assim, suas receitas resultam dos produtos e serviços. Hoje, muitas empresas fornecem gratuitamente serviços cada vez mais sofisticados associados aos seus produtos para fidelizar seus clientes e com isso perdem uma fonte de faturamento cada vez maior . 
Em um caso mais avançado, a fornecedora de produtos pode inovar o seu modelo de negócios, ao ponto de deixar de vender e cobrar, por exemplo, somente pelo uso do produto (veja as diferentes formas de cobrança possíveis em “definir modelo de receita” uma das atividades da elaboração do “modelo de negócio“). Neste caso o produto passa a ser parte de seu ativo e suas receitas resultam somente dos serviços.

Chamamos de servitização o processo de transformação de uma empresa que só fornecia produtos físicos em uma empresa que provê serviços, ou seja, os dois exemplos anteriores podem ser  considerados casos servitização.

A oferta resultante da servitização (produto, serviço e infraestrutura necessária para prover os serviços) é denominada de  Sistema Produto-Serviço, ou simplesmente PSS (do inglês: product-service system). Existem outras denominações para PSS.

Existem empresas com mais de 40 anos, que já fornecem PSS sem nunca usar este termo e nem chamar o processo de servitização. Nos últimos anos essa prática está sendo sistematizada, teorizada e divulgada para que outras empresas possam adotá-la.

O ponto principal dessa metodologia é criar proposições de valor que tragam benefícios que não seriam possíveis com o modelo de negócio atual.

Após a servitização a empresa torna-se então capacitada em fornecer  PSS. A mudança principal está na mentalidade (mindset) dos participantes dessas mudanças. A partir deste momento, a criação de uma nova oferta pode ser denominada de desenvolvimento (design) de PSS. A servitização e o design de PSS se confundem. Mas em uma metodologia pragmática como a nossa, isto não é uma limitação, pois o desenvolvimento do PSS passa pela definição da proposição de valor e modelo de negócio (veja o tópico “definições” para conhecer mais sobre este assunto).

Em outras palavras. Essa metodologia pode ser usada tanto para a servitização como para o design de um novo PSS. O design do PSS é uma simplificação da servitização, pois partimos do princípio que o “mindset” dos stakeholders esteja presente.

O processo de transformar uma empresa de fornecedora de serviços em provedora de PSS é conhecido como produtização. São empresas que passam a incorporar produtos como meio de prover esses serviços. Embora o ponto de partida da servitização e da produtização sejam distintos, no final, em ambos os casos, a empresa irá fornecer um PSS. Como no início dessa transformação, desenhamos um novo modelo de negócio, apesar dessa metodologia ser intitulada de servitização, ela poderá ser usada na produtização.

Metodologia é uma coleção de métodos, que neste guia estão estruturados abaixo de atividades de desenvolvimento. Nem sempre todos os métodos serão utilizados em um projeto de servitização / design de um PSS. A cada caso de aplicação, a metodologia deve ser adaptada e somente as atividades e métodos mais pertinentes ao caso devem ser selecionadas. Para auxiliar a aplicação dessa metodologia, criamos o tópico “como configurar a metodologia”. Porém, cada caso é um caso. Um usuário mais experiente pode selecionar as atividades mais condizentes com sua aplicação sem passar por este tópico.

Startups que desejam fornecer PSS também podem fazer uso dessa metodologia, adaptando-a para o seu caso específico.

Torna-se um desenvolvimento / design de PSS sem desejar transformar algo existente. As mesmas atividades de análise do mercado, proposição de valor e modelo negócio são válidas. Deve-se simplificar a metodologia. Mas como ela é flexível, você pode selecionar somente as atividades que sejam pertinentes. Essa metodologia já foi aplicada na criação de uma startup. 

O desenvolvimento de uma metodologia é um processo contínuo. Nunca termina. Conforme vamos adquirindo experiência na sua aplicação, vamos aperfeiçoando. Por isso, este guia deve ser um documento vivo. Será sempre atualizado neste site.  O material de apoio que pode ser baixado para apoiar a realização das atividades propostas ainda está em desenvolvimento e por isso não está completo.

Apesar da quantidade de autores, este guia não é uma coletânea. Todo o seu conteúdo é articulado para formar um guia consistente.

Recomendamos que você comece sua leitura pelo tópico “Como usar este guia?”.